Rio de Janeiro, 9 de Março de 2006
Na terça, alguns calouros foram procurar os jogadores do time. Anderson, até então o amigo mais próximo de Gustavo, foi o primeiro a falar com os veteranos. Mais três garotos se dirigiram até eles: Marcos, João e um outro Marcos. Os quatro fariam uma espécie de jogo treino contra o time atual. Não havia técnico na equipe, portanto eram os próprios jogadores que se organizavam e decidiam quem participaria da equipe ou não.
- Galera, vocês têm goleiro? Só tem quatro aí.
- Bom, eu agarro. A gente pode jogar só com três, se for o caso. Vai ser coisa rápida, né? - respondeu João.
- Não, vamos fazer assim. Bruno, joga no time deles. É bom que, jogando no mesmo lado que os caras, dá pra ver se eles sabem mesmo ou não.
- Certo, Alê. Então vamo lá, pessoal - Bruno se dirigiu ao outro time, se apresentou a todos e começaram a jogar. Gustavo observava atentamente, mas com olhos de torcedor. Sua cabeça fervilhava de ideias, enquanto os quatro calouros mostravam muita habilidade contra o time. Algo lhe dizia que essa nova geração poderia mudar a maneira do colégio ver os jogos de futebol.
Cerca de vinte minutos depois, Bruno, que jogava do lado dos calouros, pediu para que se encerrasse a partida. Queria falar com seus amigos de time, e comunicar a decisão aos aspirantes a novos jogadores.
- Pessoal, a gente se amarrou em jogar com vocês, e acho que todo mundo tem potencial pra jogar no time. Os quatro representaram muito e nos surpreenderam. Não quero que os outros pensem que qualquer um vai jogar aqui, até porque, não queremos superlotar o time. Mas pela iniciativa dos quatro, e pela qualidade de vocês, acho que agora nosso time tem oficialmente dez jogadores - proclamou Alessandro, que era goleiro e capitão do time. A decisão foi muito comemorada, principalmente por Marcos, que Gustavo percebeu ser o mais fanático por futebol, e mais animado para entrar na equipe.
Enquanto ainda conversavam, Gustavo - o único que ficou até o fim do treino, dessa vez - se aproximou dos jogadores e resolveu puxar assunto.
- E aí, rapazeada.. eu sei que eu não jogo, mas posso me chegar aqui?
- Claro, irmãozinho! Senta, diz aí.. o que achou?
- Me amarrei! Eu não sei se comentei com vocês, mas já falei com o Anderson e com o João, que são da minha turma. Sou muito fã de futebol, frequentador de estádios, um torcedor assíduo. E nesses dias eu andei pensando, e resolvi comentar com vocês: agora que o time fechou com vocês dez, por que não vamos na diretoria pedir um investimento aqui na quadra e na estrutura do time?
- Cara, a gente tá querendo fazer isso a algum tempo, mas acontece que os próprios alunos daqui não acompanham o time, os professores de educação física não dão aquela moral, e aí a gente acaba ficando sem uma base pra pedir alguma coisa, sacou? - respondeu Ricardo, aluno do 2º ano e artilheiro do time.
Gustavo, apesar de compreender a situação, seguiu com sua ideia:
- É, eu tava reparando que a galera não ficou tão animada a princípio, perguntamos pra outros veteranos, e eles falaram que até gostariam de ver os jogos, só que não gostam de se deslocar pra outras quadras. Mas acho que podemos criar um ciclo interessante. Eu tenho umas ideias, podemos falar com o pessoal na internet, espalhar uns cartazes, ir nas salas. Aí mobilizamos todo mundo e fazemos um abaixo assinado, convocamos todo mundo, e na festa do trote, já que a diretoria vai estar toda aqui, falamos com eles.
- Você pensou em tudo? - comentou Anderson, em meio a risos de todos.
- O cara é genial, rapaz! Brother, pode contar com a gente! Nós somos os maiores interessados, e você com certeza já é nosso torcedor número um! Agora no turno da tarde vamos começar nossa campanha.. você tá livre pra ficar por aí? - perguntou Alessandro.
- Com certeza eu tô! Já vim preparado pra isso! - Gustavo ficou extremamente feliz com a reação de todo o time. Havia preparado os discursos e ideias durante os últimos dias, e agora seria sua chance de colocar tudo em prática.
Começaram passando de sala em sala no turno da tarde, comunicando aos alunos que gostariam de pedir investimentos para o time de futebol, incluindo as obras na quadra. Pediram para que todos comparecessem aos treinos, e que se esforçassem para ir aos jogos naquele ano. Avisaram que o time estava unido, forte e determinado a jogar para representar o nome da escola. E passaram o abaixo assinado por turmas dos três anos. Naquela tarde, e na manhã seguinte, conseguiram mais de 400 assinaturas. Quase o número total de alunos da escola, que não era muito populosa.
Ao longo da tarde de sexta-feira, colocaram cartazes pela escola, onde falavam sobre a festa do trote, e sobre o futebol na escola. Sentiam pelos corredores, que os alunos começaram a se empolgar com a ideia. Todos perguntavam pelos jogadores, sobre quando seria o treino. Gustavo sentia que sua ideia tinha dado certo, só faltava o passo mais importante: levar o projeto até a diretoria.
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