Rio de Janeiro, 16 de Março de 2006
Chegou a quinta-feira, dia do sorteio de grupos da Liga Municipal Intercolegial. E dessa vez a quadra já poderia ser parcialmente utilizada para que o time treinasse à noite. Gustavo chegou para a aula no horário normal, segurando uma sacola muito bem fechada, protegendo-a como à própria vida. Quem já estava ciente do assunto, imaginou que poderia ser algo para se revelar mais tarde, na hora do treino.
Durante as aulas, os jogadores que estudavam à tarde passaram pelas salas recolhendo dinheiro para os uniformes. Naquela tarde, enquanto os jogadores da tarde ficassem acompanhando o sorteio pela internet, Gustavo e os outros iriam comprar e estampar os números nos uniformes do time.
Ao fim do turno da manhã, todos se reuniram nas mesinhas da escola. Separaram o dinheiro, que já sabiam ser o suficiente para os uniformes, e se dividiram entre os que ficariam na escola durante o sorteio, e os que iriam às ruas preparar os uniformes. Resolveram sair logo dali, para que tudo fosse resolvido o mais rápido possível. O sorteio seria no horário do intervalo do turno da tarde, e todo o colégio estava bastante ansioso para conhecer os adversários no torneio.
Gustavo, ainda carregando sua sacola, e mais alguns jogadores pegaram o metrô para o centro da cidade, onde comprariam as camisas no modelo já previamente escolhido. Não havia recursos para aplicar detalhes ao uniforme naquele momento, então simplesmente queriam camisas azuis, shorts brancos e meiões azuis. Wellington sabia onde conseguir tudo, e foram direto à loja. Lá chegando, encontraram a quantidade exata que precisavam. Somente os coletes estavam em falta. Mas era o menos importante até então. Fizeram as contas, pediram um bom desconto, e por lá mesmo deixaram os uniformes com a lista de nomes e números, para que fossem feitas as estampas.
Perceberam, então, que havia tempo para voltarem ao colégio e tentar acompanhar o sorteio. Correram bastante até o metrô, e ao retornar a escola, não viram ninguém na praça. O que significava que o sorteio estava sendo realizado. Voaram para o interior da escola, e lá chegando, viram que Alessandro havia organizado tudo: ele e os jogadores estavam na entrada da quadra, de frente para todos, com um laptop sobre a mesa. Do lado, um cartaz onde João, um dos calouros do time, ia anotando os nomes dos times nos grupos, à medida que eram sorteados. O sorteio havia começado a pouco tempo, até então só havia dez times sorteados, e o Horacio Macedo ainda não fora anunciado. Conforme cada escola era sorteada, a organização do torneio anunciava a localização da mesma. E Marcos, outro calouro, anotava tudo.
- Venham aqui, pessoal. - Alessandro chamou os garotos que vinham do centro - Ainda não fomos sorteados.
A Liga Municipal era composta por 16 grupos, com cinco times em cada. Assim, cada equipe de cada grupo jogaria duas partidas em casa, e duas fora. Dentre estes 80 times, que compunham a primeira divisão, os piores de cada grupo eram rebaixados. Os dois líderes de cada grupo se classificavam para a segunda fase, em confrontos diretos eliminatórios, ida e volta. E assim o campeonato seguiria até as finais, em jogo único, realizado em local neutro a ser escolhido de acordo com a localização das escolas.
- Agora já temos um time em cada grupo. Tomara que o sorteio não seja cruel conosco, e possamos jogar aqui perto. Vamos lá, mais um time para cada grupo a partir de agora.
O sorteio ia correndo, e enquanto isso, Gustavo se retirou de perto da mesa, e foi para dentro da quadra. Mais tarde, haveria o treino, e ele queria preparar a parte da quadra já disponível, para surpreender os jogadores quando lá entrassem. Começou a desembrulhar seu pacote, e de lá tirou cinco bandeiras, quatro azuis e uma branca. Na maior de todas, havia escrito "QDA", e a descrição "A Quadrilha de Maria da Graça" logo abaixo. Seria a faixa principal, por enquanto. Na branca, pintara com tinta azul "Colégio Estadual Professor Horacio Macedo - Maria da Graça, Rio de Janeiro/RJ - Brasil". Nas outras três, as frases "Horacio Macedo, te amo", "Maria da Graça" e "Apoio Incondicional".
Gustavo pendurou tudo cuidadosamente, pegou sua câmera, fotografou a quadra em obras, e as faixas ali penduradas, atrás do gol. Aquele seria o local escolhido para que a torcida ficasse durante os jogos. A quadra possuia um lance de alguns degraus atrás do gol, um longo lance de degraus tomando toda a lateral direita de quem entrava na quadra. Ao lado da entrada, duas escadas, uma para cada lado. A da direita dava acesso à parte superior das arquibancadas, enquanto a esquerda apenas servia para acessar uma pequena área, onde ficariam as torcidas visitantes. Os times entravam pelos mesmos portões que suas respectivas torcidas, e se dirigiam ao lado esquerdo da quadra, onde não havia arquibancadas, somente os bancos de reservas e área técnica.
- Gustavo! - Alessandro o chamava da parte de fora da quadra - Tá fazendo o que aí dentro, cara? Vem, terminou mais uma parte do sorteio! Dois times em cada grupo, por enquanto nada do Macedão.
Do lado de fora, o cartaz ia sendo preenchido, e com Marcos, estava o papel com a localização de cada escola. Gustavo via ali diversos bairros, de Realengo à Copacabana. Notou ali o nome de um colégio particular, bem próximo à sua casa. Era o Colégio João Lyra Filho, e Gustavo tinha vários amigos lá. Lembrou-se logo de Marlon, seu amigo de infância, que estudava lá a um bom tempo. Havia ouvido algo sobre uma torcida chamada Mancha Amarela, fundada por colegas de Marlon, mas não sabia a quantas andava a ideia. Certamente, no colégio João Lyra também estavam acompanhando o sorteio.
As equipes iam sendo distribuídas pelos grupos, uma a uma. Bangu, Centro, Madureira, Méier, Cascadura. Até que Gustavo, um pouco disperso com tantas ideias sobre o que fazer para a torcida, ouviu o nome que tanto esperava.
- Aí, pessoal! Somos nós! Colégio Estadual Professor Horacio Macedo, de Maria da Graça. Estamos no Grupo 5, por enquanto com o Colégio João Lyra Filho, de Quintino, e o Visconde de Cairu, do Méier. Tudo pertinho! Maravilha!
Gustavo ficou espantado com tamanha coincidência. O colégio de seus amigos, no mesmo grupo do colégio em que agora estudava. Certamente ligaria para Marlon de noite.
- Alessandro, o Colégio João Lyra é muito próximo à minha casa. Alguns amigos meus estudam lá. Inclusive, meu amigo de infância, Marlon, é membro de uma torcida organizada por lá. A Mancha Amarela. Vou falar com ele ainda hoje, contar essa novidade.
- Boa, cara! Já sabemos que seremos bem recebidos em pelo menos uma quadra! - riu.
Mais uma rodada de equipes foi finalizada. A cada time sorteado, ficava a expectativa para que, no Grupo 5, só houvessem equipes de bairros próximos à Maria da Graça. Mas não seria tão simples.
- Colégio Geremário Dantas, Praça Seca, Jacarepaguá. Grupo 5. - Alessandro anunciou, desapontado. Ainda sim, sabia que poderia haver coisa pior.
O grupo 5 ainda seria fechado com uma escola de Realengo. O adversário mais distante do Horacio Macedo. Todos esperavam que o jogo contra eles fosse em casa. Mas só no dia seguinte teriam esta resposta. Ao fim do sorteio, foi anunciado ainda, pelo site da Federação Intercolegial, que as partidas seriam transmitidas pela internet, direto do site onde foi realizado o sorteio, e para isso, em cada jogo haveria um funcionário na quadra filmando tudo.
Conhecidos os confrontos do colégio, os alunos aos poucos voltavam para suas salas. Alessandro guardou a mesa e levou o laptop de volta para a diretoria. Os jogadores da tarde subiram, enquanto o resto do time foi até o refeitório, já que treinariam à noite.
- Bom, então é isso. Quatro jogos, dois próximos e dois distantes. Podemos ser bastante sortudos, e fazermos fora de casa só os jogos no Méier e Quintino. - comentou Alessandro.
- Ah, mas a diretoria falou que iria nos ajudar. Se for necessário, a gente pede para eles nos levarem até lá. Quer dizer, espero que possamos contar com isso. - sugeriu Marcos.
- É. Mas acho que eles darão suporte somente para os jogadores. Não temos como saber se haverá transporte para a torcida também. De qualquer modo, Gustavo, por enquanto só tem você. Então, você pode ir com a gente.
- Verdade - respondeu Gustavo -, ainda posso ir com vocês. Mas não quero que a torcida seja só eu. Senão, não faz sentido. Preciso convocar mais gente.
Coincidência ou não, logo após Gustavo falar isso, entraram cinco garotos e uma menina no refeitório. Foram até a mesa onde estavam os rapazes, e se apresentaram. Eram Jéssica, Bruno, Washington, Marcelo, Augusto e Ronaldo.
- Você é o Gustavo, que fundou a torcida QDA, né? Então, nós queremos participar também. O que precisamos fazer? - perguntou Bruno.
- Bom, vocês já participam - riu.
- Como assim, cara?
- É. Vejam, não temos carteirinha, nem sede, nem presidente, nem nada do tipo. Vai ser só um movimento de apoio ao time, por enquanto, sem nada institucionalizado. Então, eu, como único membro da torcida até agora, posso afirmar que vocês, e qualquer outro que chegar lá pra torcer, já está dentro. Minha ideia é uma só: apoiar o time o tempo inteiro, alucinadamente.
- Perfeito! Então, estamos dentro. Mas, e já temos músicas para cantar? - indagou Jéssica.
- Olha só! Sabia que estava faltando alguma coisa! - disse Gustavo, para risada geral. - Bem lembrado, não tem música nenhuma ainda! Até porque, eu estava fazendo uns panos em casa e não parei para pensar a respeito. Mas, vamos nos reunir pela internet, e acertamos isso. Criarei grupos em vários sites, vamos divulgar a ideia, e ver se mais alguma outra escola participa desse tipo de movimento também. Lá, eu posto as fotos dos panos, e a gente pensa em músicas. Mas não se preocupem, eu me encarregarei de criar algumas, provisórias, para esse primeiro jogo, que ainda não sabemos contra quem será, nem onde será. Combinado?
- Combinadíssimo! Então, somos da QDA agora! Vamos tentar aparecer na quadra depois da aula, para vermos o treino. A gente se fala por aí, Gustavo! Foi um prazer, amigo! - se despediram os seis, saindo do refeitório. Alessandro, pensativo, perguntou:
- Gustavão, seguinte: que panos são esses? Já estão prontos? Aliás, cadê a sacola que você estava segurando?
- Deixa isso pra lá, Alê. Mais tarde a gente conversa sobre. - Gustavo desviou o assunto.
No final da aula, os seis jovens que foram até Gustavo no refeitório, desceram de suas salas em direção à quadra. Gustavo e o time esperavam, na porta, pelos outros jogadores.
- Grande Gustavo! Não estou sabendo, mas diga: tem alguma parte da arquibancada em que já podemos ficar? - perguntou Washington.
- Bom, atrás do gol já está pronto. Só falta a arquibancada lateral direita, e a parte dos visitantes. Mas, para acessarmos a parte de trás do gol, ainda temos que andar pelo meio da quadra.
- Ah sim. Então, acho que o time todo vem aí, vamos entrar?
- Vamos! Jogadores, atenção: o trabalho não está perfeito, foi tudo preparado muito às pressas, virei a noite fazendo isso, mas espero de coração que gostem. - disse Gustavo, enquanto entravam na quadra. Apontou para as bandeiras penduradas atrás do gol, no lado oposto. Os jogadores todos correram para vê-las de perto.
- Olha só que irado, cara! Me amarrei mesmo! Parabéns, Gustavo! Tá lindo! Agora sim a coisa vai pra frente! Me sinto ainda mais motivado para ganharmos nesse campeonato. - exclamou Marcelo, jogador do segundo ano.
Gustavo e os outros subiram para a arquibancada atrás do gol, para assistir ao treino do time. Enquanto tocavam bola e se aqueciam, tiveram a ideia de cantar o nome de cada jogador ali, para incentivá-los durante o treino. Era a primeira vez que se manifestava uma torcida naquela quadra.
- Alessandro! Marcelo! Ricardo! Wellington! Felipe! Bruno! Anderson! Marcos! Marcos Silva! João! - eram os gritos, seguidos por aplausos. De fora da quadra, ouvia-se a empolgação dos sete torcedores. Algumas pessoas chegavam a entrar na quadra para saber o que acontecia.
Depois disso, começaram a gritar o nome da escola. "Horacio, Horacio!!", e entoaram então o que seria a primeira música da torcida. Em cima do clássico When The Saints Go Marching In - que muitas torcidas de grandes clubes entoavam -, começaram a gritar o nome da escola:
"Horacio-ô!
Horacio-ô!
Horacio-ô ô ô ô ô!
Horacio-ô ô ô ô ô!
Horacio-ô ô ô ô ôô!"
Os jogadores até pararam o treino para observar. Os últimos alunos que saiam da escola, entaram na quadra para ver. Não fazia muito sentido, aquelas sete pessoas pulando atrás do gol durante um treino, à noite, mas era bonito de se ver. Gustavo colocou sua câmera na parte alta da arquibancada, e ficou ali filmando aquela pequena festa.
Ao final do treino, os membros do time foram até a arquibancada aplaudir os garotos da QDA. Nunca tinham visto nada parecido com aquilo. Gustavo soltou as bandeiras, embrulhou todas cuidadosamente, e assim terminava um dia bem movimentado, tanto para jogadores quanto para aquela nova torcida que ali nascia.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Capítulo 04
Rio de Janeiro, 15 de Março de 2006
No dia seguinte à festa do trote, as obras na quadra começaram. Logo na quarta-feira, foram colocadas todas as lâmpadas, pela manhã. Gustavo mal conseguia prestar atenção nas aulas, onde os professores já começavam a passar trabalhos para casa. Ele só conseguia pensar em como poderia ajudar o time. Passou horas em casa desenhando, projetando bandeiras, faixas, e pensando num nome pra uma torcida. Algo marcante, que chamasse atenção, um nome se possível agressivo, apesar do intuito inicial de apenas apoiar o time. Mal sabia, entretanto, se teria apoio de alguém nessa empreitada.
Naquele dia, depois da aula, o time se reuniu apenas para conversar, já que não podiam treinar na quadra em obras. O único que não estava presente era Wellignton, que estava fazendo a inscrição da equipe na Liga Municipal, próximo à sua casa. Nas mesinhas da escola, Felipe sugeria cores e uniformes.
- Acho que se a gente usar azul, fica foda. Depois fazemos um segundo uniforme branco. E arrumamos uns coletes cinzas, pra emergência, coisa simples. Agora precisamos é decidir como vai entrar a grana pros uniformes. Acho que a galera não vai ligar de contribuir. Podemos pedir pelas salas. Mas temos que agilizar isso logo, amanhã já é dia do sorteio de grupos do torneio.
Resolveram acatar a ideia e ficar com o uniforme azul. Era simples, com uma listra branca nos ombros. Shorts brancos, meias azuis. O segundo uniforme seria o oposto. Gustavo e todos do time gostaram da ideia. Agora restava conseguir o principal: o dinheiro para os uniformes. Decidiram fazer uma campanha de arrecadação pela escola. Não seria difícil, se pelo menos metade dos alunos contribuisse.
Mas, antes de começar a fazer qualquer coisa, Gustavo tinha algo a falar. Abriu sua mochila, pegou uma pasta, colocou todo o conteúdo sobre a mesa, na frente dos jogadores da equipe. Eram papéis com desenhos de faixas, bandeiras, arquibancadas, frases, nomes, rabiscos. Então, começou a explicar:
- Pessoal, isso tudo aqui levou algum tempo para ser projetado. Pensei num nome, numa ideologia, e cheguei a essa ideia. Eu vos apresento a Quadrilha de Maria da Graça. A QDA. Está fundada neste exato momento a torcida organizada oficial do Colégio Estadual Professor Horacio Macedo.
Alessandro arregalou os olhos, surpreso e ao mesmo tempo emocionado. Não sabia qual era exatamente a ideia de Gustavo, mas o indagou:
- Cara, você teve essa ideia sozinho? Ou já tem mais gente pra compor isso?
- Bom, como eu fiz tudo sozinho, por enquanto sou só eu. Mas eu vou ver se tem mais gente interessada. Juntar uma galera, pelo menos um pessoal pra fechar sempre, sabe? Ir em todos os jogos, cantar, batucar, fazer a farra toda. Tenho certeza, deve ter mais umas dez pessoas aqui pelo colégio com essa cabeça também.
- Entendi. Então pode contar com a gente! Agora é o Horacio Macedo com a QDA, sempre! Todo mundo de acordo?
Não havia como discordarem. A ideia era ótima. Além de definir um projeto de uniforme, agora, como um incentivo ainda maior para o time, haveria uma torcida disposta a tudo para acompanhá-los e incentivá-los. A coisa começava a tomar um ar quase profissional para aqueles jovens.
Ao fim da reunião, Gustavo preferiu ir para casa. Havia muita coisa a fazer, principalmente agora que já sabia qual seria a cor do time. Pegou o ônibus e não desceu em casa, foi direto a Madureira, comprar tecidos e tinta para começar a trabalhar logo. Enquanto isso, ainda na escola, começou a arrecadação de dinheiro para os uniformes. A todo mundo, era apresentado o projeto, as cores, e os garotos faziam questão de mencionar a ideia da torcida organizada que Gustavo havia fundado. A reação inicial de todos era, claramente, de espanto. Até pouco tempo atrás, o futebol no Horacio Macedo era uma diversão sem investimentos. Agora, já pensavam em torcida organizada, faixas, uniformes...
Ainda assim, os garotos do time conseguiram arrecadar um bom dinheiro. Alguns doavam poucas moedas, outros até dez reais, professores e funcionários também foram solicitados e contribuiram com o que podiam. Com o dinheiro daquele dia, já era possível comprar e estampar o primeiro uniforme todo, mais os coletes. O resultado da arrecadação superou as expectativas. Mas também começou a gerar uma certa pressão na cabeça dos jovens jogadores. Agora, deveriam representar a escola mais do que qualquer um já havia feito. Não sabiam até que ponto aguentariam a responsabilidade, mas certamente, até onde chegaram, já estava no mínimo bastante divertido.
No dia seguinte à festa do trote, as obras na quadra começaram. Logo na quarta-feira, foram colocadas todas as lâmpadas, pela manhã. Gustavo mal conseguia prestar atenção nas aulas, onde os professores já começavam a passar trabalhos para casa. Ele só conseguia pensar em como poderia ajudar o time. Passou horas em casa desenhando, projetando bandeiras, faixas, e pensando num nome pra uma torcida. Algo marcante, que chamasse atenção, um nome se possível agressivo, apesar do intuito inicial de apenas apoiar o time. Mal sabia, entretanto, se teria apoio de alguém nessa empreitada.
Naquele dia, depois da aula, o time se reuniu apenas para conversar, já que não podiam treinar na quadra em obras. O único que não estava presente era Wellignton, que estava fazendo a inscrição da equipe na Liga Municipal, próximo à sua casa. Nas mesinhas da escola, Felipe sugeria cores e uniformes.
- Acho que se a gente usar azul, fica foda. Depois fazemos um segundo uniforme branco. E arrumamos uns coletes cinzas, pra emergência, coisa simples. Agora precisamos é decidir como vai entrar a grana pros uniformes. Acho que a galera não vai ligar de contribuir. Podemos pedir pelas salas. Mas temos que agilizar isso logo, amanhã já é dia do sorteio de grupos do torneio.
Resolveram acatar a ideia e ficar com o uniforme azul. Era simples, com uma listra branca nos ombros. Shorts brancos, meias azuis. O segundo uniforme seria o oposto. Gustavo e todos do time gostaram da ideia. Agora restava conseguir o principal: o dinheiro para os uniformes. Decidiram fazer uma campanha de arrecadação pela escola. Não seria difícil, se pelo menos metade dos alunos contribuisse.
Mas, antes de começar a fazer qualquer coisa, Gustavo tinha algo a falar. Abriu sua mochila, pegou uma pasta, colocou todo o conteúdo sobre a mesa, na frente dos jogadores da equipe. Eram papéis com desenhos de faixas, bandeiras, arquibancadas, frases, nomes, rabiscos. Então, começou a explicar:
- Pessoal, isso tudo aqui levou algum tempo para ser projetado. Pensei num nome, numa ideologia, e cheguei a essa ideia. Eu vos apresento a Quadrilha de Maria da Graça. A QDA. Está fundada neste exato momento a torcida organizada oficial do Colégio Estadual Professor Horacio Macedo.
Alessandro arregalou os olhos, surpreso e ao mesmo tempo emocionado. Não sabia qual era exatamente a ideia de Gustavo, mas o indagou:
- Cara, você teve essa ideia sozinho? Ou já tem mais gente pra compor isso?
- Bom, como eu fiz tudo sozinho, por enquanto sou só eu. Mas eu vou ver se tem mais gente interessada. Juntar uma galera, pelo menos um pessoal pra fechar sempre, sabe? Ir em todos os jogos, cantar, batucar, fazer a farra toda. Tenho certeza, deve ter mais umas dez pessoas aqui pelo colégio com essa cabeça também.
- Entendi. Então pode contar com a gente! Agora é o Horacio Macedo com a QDA, sempre! Todo mundo de acordo?
Não havia como discordarem. A ideia era ótima. Além de definir um projeto de uniforme, agora, como um incentivo ainda maior para o time, haveria uma torcida disposta a tudo para acompanhá-los e incentivá-los. A coisa começava a tomar um ar quase profissional para aqueles jovens.
Ao fim da reunião, Gustavo preferiu ir para casa. Havia muita coisa a fazer, principalmente agora que já sabia qual seria a cor do time. Pegou o ônibus e não desceu em casa, foi direto a Madureira, comprar tecidos e tinta para começar a trabalhar logo. Enquanto isso, ainda na escola, começou a arrecadação de dinheiro para os uniformes. A todo mundo, era apresentado o projeto, as cores, e os garotos faziam questão de mencionar a ideia da torcida organizada que Gustavo havia fundado. A reação inicial de todos era, claramente, de espanto. Até pouco tempo atrás, o futebol no Horacio Macedo era uma diversão sem investimentos. Agora, já pensavam em torcida organizada, faixas, uniformes...
Ainda assim, os garotos do time conseguiram arrecadar um bom dinheiro. Alguns doavam poucas moedas, outros até dez reais, professores e funcionários também foram solicitados e contribuiram com o que podiam. Com o dinheiro daquele dia, já era possível comprar e estampar o primeiro uniforme todo, mais os coletes. O resultado da arrecadação superou as expectativas. Mas também começou a gerar uma certa pressão na cabeça dos jovens jogadores. Agora, deveriam representar a escola mais do que qualquer um já havia feito. Não sabiam até que ponto aguentariam a responsabilidade, mas certamente, até onde chegaram, já estava no mínimo bastante divertido.
sábado, 7 de janeiro de 2012
Capítulo 03
Rio de Janeiro, 13 de Março de 2006
Durante o fim de semana, enquanto o time do colégio divulgava sua "agenda" na internet, Gustavo elaborava um pequeno documento, a ser entregue para a diretoria, onde inclusive, falava sobre os próprios alunos participarem com o que fosse possível, na reforma da quadra e no apoio ao time. Anexou o abaixo assinado, e guardou todo o seu trabalho na mochila. Na segunda-feira não haveria aula para o 1º e o 3º ano. Mas todos estariam na escola para a festa do trote. Haveria muita tinta, comida, bebida, mas antes o diretor do colégio, o senhor Jaime Martins, falaria com os alunos, aproveitando a ocasião já que não pudera estar lá na semana anterior.
Gustavo não pregou os olhos na madrugada que antecedeu o "grande dia". Tinha a forte convicção de que tudo daria certo, e apesar de pouco tempo na escola, começava inclusive a imaginar seu nome circulando pelos corredores. Ainda que não fosse essa sua pretensão, sabia que sua ideia seria reconhecida. Sonolento, mas muito animado, se vestiu e chegou no horário normal ao Horacio Macedo. A festa só seria por volta das 10 horas, e envolveria os dois turnos. Mas, ansioso, Gustavo não aguentou esperar.
Alessandro desceu do ônibus na porta da escola, junto com mais alguns veteranos, todos vindos do Méier. Já eram cerca de 8 da manhã, e Gustavo fazia um lanche, já que havia saído correndo, muito cedo, de casa.
- E aí, calouro! Beleza? O negócio é o seguinte.. hoje a gente vai falar com a diretoria, mas depois na hora do trote, você não é mais meu amigo, ok? - Alessandro decretou, rindo da cara de susto de Gustavo.
- Certo, certo! Essa é a regra! - sorriu, timidamente.
Aos poucos o tempo ia passando e os alunos chegavam, todos sem uniforme, preparados para se sujar. Somente os alunos do segundo ano estavam em sala. Gustavo notou um carro estacionando dentro da escola, e de lá saiu um homem alto, bigodudo e que sorria para todos. Lembrou das fotos que havia visto e reconheceu ser o diretor, senhor Jaime Martins, conhecido por ser ausente porém bem simpático e receptivo.
Quando o relógio já marcava 9:30, o diretor subiu no pequeno palco do auditório da escola, e reuniu todos os calouros. Deu as boas-vindas aos alunos, pediu desculpas por sua ausência na semana anterior, falou sobre algumas normas do colégio e sobre suas expectativas para mais um ano letivo. Ao fim de seu discurso, na saída do auditório, Gustavo o abordou.
- Senhor diretor. Muito prazer, meu nome é Gustavo, sou aluno do primeiro ano.
- Não precisa me chamar assim. Não me incomodo que digam meu nome - debochou.
- Bom, então tudo bem. Jaime, cheguei recentemente aqui e notei que a quadra tem obras inacabadas, falta iluminação e estrutura para o time de futebol da escola. Conversei com os jogadores do time, que agora conta com alguns calouros também, e notei que os outros alunos até gostariam de acompanhar os jogos do time, mas os desanima o fato de a diretoria não dar a devida atenção a eles. Me perdoe desde já, por parecer que eu estou questionando sua administração. Me desculpe mesmo..
- De maneira alguma, filho. Prossiga - interrompeu o diretor.
- Certo. Então, os calouros e veteranos se juntaram, e fizemos uma campanha de divulgação do time aqui do Horacio Macedo. Também recolhemos assinaturas de praticamente todos os alunos dos dois turnos, e resolvemos entregar este documento ao senhor - disse, enquanto pegava a pasta com o documento redigido na mochila.
- Ok, vou analisar. Mas teria como você resumir do que se trata? - indagou.
- Bom, é um pedido em nome de todos, para que a diretoria faça um investimento na quadra, e em estrutura para o time, como bolas, uniformes e afins. Queremos ajudar no que for possível, para que todos juntos possam, através do futebol, divulgar o nome da escola da melhor maneira que conseguirmos.
- Perfeito. A ideia me parece ótima. Temos apenas a questão de verba, mão-de-obra, essas coisas. Você deve saber como é. Por sermos um colégio público, tudo deve passar pelo crivo do governo antes de ser feito. Mas, se é um desejo de tanta gente - disse, observando espantado a quantidade de assinaturas - farei tudo o que puder. Nem que isso envolva sacrifícios pessoais, se é que me entende.
- Entendo sim, diretor. E fico muito feliz com a sua resposta. Bom, era só isso mesmo. Vou lá, algumas latas de tinta me esperam. - disse, enquanto se afastava ouvindo a risada do diretor, que ainda lia o documento.
Gustavo correu para a entrada da quadra, e lá encontrou Anderson, que o aguardava ansiosamente.
- E aí, cara? Fiquei daqui vendo o diretor olhando o papel, e rindo. Como foi?
- Ele falou que vai fazer o possível, mas que aprovou a ideia, e ficou espantado com a quantidade de gente que contribuiu com assinaturas e se dispôs a ajudar. Acho que ele mesmo não sabia quanta gente aqui gostava de futebol.
- Puta que pariu! Então vai dar tudo certo! - exclamou, sendo interrompido pelo grito de um dos veteranos. Era a ordem para entrarem na quadra.
A festa para Gustavo e Anderson foi particularmente mais divertida. Até então, só os dois sabiam da conversa com o senhor Jaime. Mas, depois de todo o banho de tinta, Alessandro e os outros rapazes do time vieram procurá-lo. Sabendo da notícia, logo trataram de espalhá-la. Grande parte dos alunos, apesar de terem gostado da ideia, ainda não tinham dimensão dos projetos que o time e Gustavo tinham em mente. No fundo, nem eles mesmos sabiam onde aquilo poderia chegar.
Algumas horas depois, já no fim da festa, Gustavo viu o diretor entrando cuidadosamente na quadra e se dirigindo a Alessandro. Imediatamente, ele correu até Gustavo.
- Cara, vamos ligar o microfone lá perto do gol, o diretor vai anunciar uma parada muito foda! Vai, vai! - dizia, correndo para improvisar um palco com caixotes.
- Alunos, gostaria da atenção de vocês. - disse o diretor, se ajustando ao palco. Enquanto isso, os alunos do segundo ano no intervalo se aproximavam da quadra. - Estive hoje conversando com o aluno Gustavo, do primeiro ano, e recebi de suas mãos um documento que continha assinaturas de praticamente todos os alunos daqui. Falava sobre o futebol, e os projetos que ele e o time da escola têm. Me foi solicitado que fizesse um esforço maior afim de concluir as obras na quadra. E eu venho aqui anunciar que, depois de alguns telefonemas e e-mails, consegui um auxílio para que as obras na quadra sejam terminadas. De imediato, instalaremos as lâmpadas, já que o teto foi o primeiro a ser reformado e se encontra em perfeito estado. Como o material da arquibancada já está todo aqui, só precisaremos de alguns dias para que sejam montados os degraus. Talvez só demore um pouco mais para fazermos os uniformes, mas caso alguém tenha uma sugestão barata e eficaz, fique a vontade para citá-la. Fui informado de que, até quinta-feira, o time deverá enviar a inscrição para a Liga Municipal. Eu ordeno que façam isso! - disse, para risada geral. - Encerro pedindo desculpas a todos, acho que não tive noção do quanto isso poderia ser importante para vocês. Muito obrigado pela atenção dada.
O discurso do diretor foi sucedido por uma enorme salva de palmas, e se ouvia de longe a comemoração dos alunos. Alessandro abraçou Gustavo, feliz.
- Valeu, calouro! Agora é tudo nosso! Vamo ganhar de geral! Agora a coisa funciona!
O ano não poderia ter começado melhor no Horacio Macedo.
Durante o fim de semana, enquanto o time do colégio divulgava sua "agenda" na internet, Gustavo elaborava um pequeno documento, a ser entregue para a diretoria, onde inclusive, falava sobre os próprios alunos participarem com o que fosse possível, na reforma da quadra e no apoio ao time. Anexou o abaixo assinado, e guardou todo o seu trabalho na mochila. Na segunda-feira não haveria aula para o 1º e o 3º ano. Mas todos estariam na escola para a festa do trote. Haveria muita tinta, comida, bebida, mas antes o diretor do colégio, o senhor Jaime Martins, falaria com os alunos, aproveitando a ocasião já que não pudera estar lá na semana anterior.
Gustavo não pregou os olhos na madrugada que antecedeu o "grande dia". Tinha a forte convicção de que tudo daria certo, e apesar de pouco tempo na escola, começava inclusive a imaginar seu nome circulando pelos corredores. Ainda que não fosse essa sua pretensão, sabia que sua ideia seria reconhecida. Sonolento, mas muito animado, se vestiu e chegou no horário normal ao Horacio Macedo. A festa só seria por volta das 10 horas, e envolveria os dois turnos. Mas, ansioso, Gustavo não aguentou esperar.
Alessandro desceu do ônibus na porta da escola, junto com mais alguns veteranos, todos vindos do Méier. Já eram cerca de 8 da manhã, e Gustavo fazia um lanche, já que havia saído correndo, muito cedo, de casa.
- E aí, calouro! Beleza? O negócio é o seguinte.. hoje a gente vai falar com a diretoria, mas depois na hora do trote, você não é mais meu amigo, ok? - Alessandro decretou, rindo da cara de susto de Gustavo.
- Certo, certo! Essa é a regra! - sorriu, timidamente.
Aos poucos o tempo ia passando e os alunos chegavam, todos sem uniforme, preparados para se sujar. Somente os alunos do segundo ano estavam em sala. Gustavo notou um carro estacionando dentro da escola, e de lá saiu um homem alto, bigodudo e que sorria para todos. Lembrou das fotos que havia visto e reconheceu ser o diretor, senhor Jaime Martins, conhecido por ser ausente porém bem simpático e receptivo.
Quando o relógio já marcava 9:30, o diretor subiu no pequeno palco do auditório da escola, e reuniu todos os calouros. Deu as boas-vindas aos alunos, pediu desculpas por sua ausência na semana anterior, falou sobre algumas normas do colégio e sobre suas expectativas para mais um ano letivo. Ao fim de seu discurso, na saída do auditório, Gustavo o abordou.
- Senhor diretor. Muito prazer, meu nome é Gustavo, sou aluno do primeiro ano.
- Não precisa me chamar assim. Não me incomodo que digam meu nome - debochou.
- Bom, então tudo bem. Jaime, cheguei recentemente aqui e notei que a quadra tem obras inacabadas, falta iluminação e estrutura para o time de futebol da escola. Conversei com os jogadores do time, que agora conta com alguns calouros também, e notei que os outros alunos até gostariam de acompanhar os jogos do time, mas os desanima o fato de a diretoria não dar a devida atenção a eles. Me perdoe desde já, por parecer que eu estou questionando sua administração. Me desculpe mesmo..
- De maneira alguma, filho. Prossiga - interrompeu o diretor.
- Certo. Então, os calouros e veteranos se juntaram, e fizemos uma campanha de divulgação do time aqui do Horacio Macedo. Também recolhemos assinaturas de praticamente todos os alunos dos dois turnos, e resolvemos entregar este documento ao senhor - disse, enquanto pegava a pasta com o documento redigido na mochila.
- Ok, vou analisar. Mas teria como você resumir do que se trata? - indagou.
- Bom, é um pedido em nome de todos, para que a diretoria faça um investimento na quadra, e em estrutura para o time, como bolas, uniformes e afins. Queremos ajudar no que for possível, para que todos juntos possam, através do futebol, divulgar o nome da escola da melhor maneira que conseguirmos.
- Perfeito. A ideia me parece ótima. Temos apenas a questão de verba, mão-de-obra, essas coisas. Você deve saber como é. Por sermos um colégio público, tudo deve passar pelo crivo do governo antes de ser feito. Mas, se é um desejo de tanta gente - disse, observando espantado a quantidade de assinaturas - farei tudo o que puder. Nem que isso envolva sacrifícios pessoais, se é que me entende.
- Entendo sim, diretor. E fico muito feliz com a sua resposta. Bom, era só isso mesmo. Vou lá, algumas latas de tinta me esperam. - disse, enquanto se afastava ouvindo a risada do diretor, que ainda lia o documento.
Gustavo correu para a entrada da quadra, e lá encontrou Anderson, que o aguardava ansiosamente.
- E aí, cara? Fiquei daqui vendo o diretor olhando o papel, e rindo. Como foi?
- Ele falou que vai fazer o possível, mas que aprovou a ideia, e ficou espantado com a quantidade de gente que contribuiu com assinaturas e se dispôs a ajudar. Acho que ele mesmo não sabia quanta gente aqui gostava de futebol.
- Puta que pariu! Então vai dar tudo certo! - exclamou, sendo interrompido pelo grito de um dos veteranos. Era a ordem para entrarem na quadra.
A festa para Gustavo e Anderson foi particularmente mais divertida. Até então, só os dois sabiam da conversa com o senhor Jaime. Mas, depois de todo o banho de tinta, Alessandro e os outros rapazes do time vieram procurá-lo. Sabendo da notícia, logo trataram de espalhá-la. Grande parte dos alunos, apesar de terem gostado da ideia, ainda não tinham dimensão dos projetos que o time e Gustavo tinham em mente. No fundo, nem eles mesmos sabiam onde aquilo poderia chegar.
Algumas horas depois, já no fim da festa, Gustavo viu o diretor entrando cuidadosamente na quadra e se dirigindo a Alessandro. Imediatamente, ele correu até Gustavo.
- Cara, vamos ligar o microfone lá perto do gol, o diretor vai anunciar uma parada muito foda! Vai, vai! - dizia, correndo para improvisar um palco com caixotes.
- Alunos, gostaria da atenção de vocês. - disse o diretor, se ajustando ao palco. Enquanto isso, os alunos do segundo ano no intervalo se aproximavam da quadra. - Estive hoje conversando com o aluno Gustavo, do primeiro ano, e recebi de suas mãos um documento que continha assinaturas de praticamente todos os alunos daqui. Falava sobre o futebol, e os projetos que ele e o time da escola têm. Me foi solicitado que fizesse um esforço maior afim de concluir as obras na quadra. E eu venho aqui anunciar que, depois de alguns telefonemas e e-mails, consegui um auxílio para que as obras na quadra sejam terminadas. De imediato, instalaremos as lâmpadas, já que o teto foi o primeiro a ser reformado e se encontra em perfeito estado. Como o material da arquibancada já está todo aqui, só precisaremos de alguns dias para que sejam montados os degraus. Talvez só demore um pouco mais para fazermos os uniformes, mas caso alguém tenha uma sugestão barata e eficaz, fique a vontade para citá-la. Fui informado de que, até quinta-feira, o time deverá enviar a inscrição para a Liga Municipal. Eu ordeno que façam isso! - disse, para risada geral. - Encerro pedindo desculpas a todos, acho que não tive noção do quanto isso poderia ser importante para vocês. Muito obrigado pela atenção dada.
O discurso do diretor foi sucedido por uma enorme salva de palmas, e se ouvia de longe a comemoração dos alunos. Alessandro abraçou Gustavo, feliz.
- Valeu, calouro! Agora é tudo nosso! Vamo ganhar de geral! Agora a coisa funciona!
O ano não poderia ter começado melhor no Horacio Macedo.
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